O ataque das bestas feras

Como os senhores já bem sabem, esses dias meus pais ganharam um cão. O que acontece, no entanto, é que meus pais, no alto de suas mentes deturpadas, cuidam da besta como se se tratasse de um ser humano. E com “ser humano” eu quero dizer: a criatura se chama Izabel, tem um quarto só dela e “fica de castigo” e “toma esporro” quando faz xixi no chão.

Esse tipo de tratamento, somado a uma psicologia demagoga aprendida em programas da A&E e Discovery, fez com que meus pais se tornassem um tanto quanto heartless com a criatura. E, vejam bem, se eu considero a parada heartless – logo eu, que gostaria que todas as crianças fossem expostas a um precipício e coagidas a se jogarem -, é por que é realmente maléfico.

Quando posta de castigo e chora, o cão é prontamente ignorado pelos meus pais, afinal, “ela precisa sofrer pra aprender que não deve mijar no chão”.

Tento explicar que “mãe, pai, aquela criatura é um cão, não uma porra de uma criança”, mas eles se recusam a livrar-se de seus devaneios esquizofrênicos.

Pois bem, vamos aos flatos.

Era noite de uma quinta feira. Como o calor do RJ é insuportável nessa época do ano, me encontrava isolado dentro de um quarto com o ar condicionado ligado, xingando pessoas aleatórias no twitter enquanto trajava apenas cuecas. Tudo o de sempre. Meus pais já dormiam há horas quando, mesmo com fone de ouvido, no canto oposto da casa e com a porta fechada, começo a ouvir o choro da pobre e solitária Izabel.

Tento ignorá-lo por hora, seguindo a prática dos meus genitores, mas começo a perceber que o choro deve ser de um desespero tremendo, afinal, o meu quarto é realmente longe do quarto da besta fera.

uma criatura dessas chorando é de partir o coração

Vou a seu encontro. A criatura treme desesperadamente, mais até do que quando a liberamos para correr no corredor e ela o faz durante ininterruptos 30 minutos – quando, na emoção do momento, ela caga no meio do corredor e meus pais a põem de castigo.

É certo que o calor era desumano, mas besta fera, em seu quarto, goza de um ventilador próprio que tornava a situação suportável. O que estaria provocando seu desespero então?

Sento do lado dela e começo a fazer carinho, enquanto ela começa a morder a minha pulseira como se fosse o último bife à parmegiana na África subsaariana.

E é aí que eu entendo tudo.

Amigos, sabem aquela cena clássica de filme em que uma pessoa anda desatenta nas ruas e, de repente, uma outra pessoa gigantemente grande projeta nela uma sombra que a encobre totalmente?

Foi tipo isso que ocorreu,

Enxerguei um vulto nas paredes, e de repente me vi embaixo de uma sombra com duas antenas e asas. Olho para trás e então vejo a monstra, a verdadeira besta fera.

Senhores, aquela era uma das maiores baratas que eu já vi na vida. Aliás, tenho suspeitas seríssimas de que, na realidade, tratava-se de um lobo fantasiado de barata, o que é totalmente plausível julgando seu tamanho e a história da Chapeuzinho.

Dou um salto ornamental pra trás que deixaria Daiane dos Santos parecendo um peixe chapado de ecstasy. Descargas imensuráveis de epinefrina jorram em minhas veias, o coração bate mais rápido que o tambor em um centro de umbanda, a atenção é voltada totalmente para besta e a Brave Heart começa a tocar na caixa de som da sala ao lado.

De agora em diante, por favor, deem play nesse vídeo. Ele é essencial para a completa transmissão do momento.

Procuro rapidamente por uma arma a altura de suas asas aladas. Encontro, por fim, o chinelo de meu pai que estava ali para o cão ter com o que se distrair. Por algum motivo doentio, ela adora cheiros ruins – inclusive, ela cagou no meu allstar semana passada.

Ainda que ela tentasse escapar de mim, consigo acertar a criatura com o chinelo. Ela cai no chão, mas de pronto se levanta e começa a correr novamente pela parede. Imaginando que ela se esconderia, precisei dividir minhas atenções entre Belinha, que agora tinha uma vontade absurda de lamber o bicho, e o próprio bicho, que rapidamente se esgueirava pelas paredes do quarto.

Acerto outra chinelada. Agora, ela cai no chão de costas e fica assim por alguns instantes, tremendo como se sofresse de epilepsia. Continuo dando seguidas chinelas, mas ela segue com a tremedeira. Por fim, pego uma botina do meu pai que também estava ali e sigo jogando em cima da besta, que segue com as antenas tremendo. Lembro daquelas lendas que dizem que uma barata consegue se mover mesmo sem a cabeça, ou que o corpo dela se contorce ainda que morta, e decido que venci a batalha.

Pego um pouco de papel higiênico e, juntando toda a coragem que acumulei nos meus 18 anos de vida, tento pegar a bicha para jogá-la na lata do lixo.

E é então que caio em uma armadilha engenhosa arquitetada pelo inseto – assim que me aproximo com o papel, a criatura dá um backflip schopenhauer 360º e pula na minha mão, decolando pelo meu braço em direção ao ombro.

Meu cu ficou como nesse momento?

Fechadinho. Não passava nem o mais tímido flato. Nadica.

Me balancei até ela cair no chão novamente, e voltei à sessão de esmagamento com os tênis, agora com um vigor extra resultante da raiva de ter sido ludibriado por um inseto.

Eis que depois de diversos instantes atacando-a, ela por fim para de se mexer. Temendo outra armadilha, coloco A LIXEIRA em cima da desgraçada e a prendo ali. Se ela não estava morta, uma hora terá de morrer.

A aprisiono debaixo da lixeira e ali a deixo até o dia seguinte, quando da forma mais hetera possível recorro a mamãe e peço pra ela desovar o corpo.

Mamãe, em seu papel de mamãe, diz que estava com demasiado medo e cabe a mim a tarefa suja. Com uma vassoura, por fim, jogamos a criatura fora.

Belinha pode descansar em paz mais algumas noites, mas não me meto em outro combate dessa grandeza não – posso não sair vivo da próxima.

A existência de insetos é a prova máxima e irrefutável de que, se Deus existe, ele não gosta de gente. E tem um péssimo senso de humor.

até a próxima, amiguinhos!

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13 Responses to “O ataque das bestas feras”


  1. 1 Kauane linda e meiga Mello 08/12/2012 às 6:26 pm

    Putz, eu teria saído correndo e gritando, e deixaria o cachorro morrer, na boa, não se pode mexer com criaturas tão perversas quanto baratas. auhauhaua Maior medo.

  2. 2 @maari_xx 08/12/2012 às 6:53 pm

    Essa barata era mutante ou o que? HAHAHA Pelo menos meu parceiro de shows está vivo, amém.

  3. 3 Isa 08/12/2012 às 10:03 pm

    “Procuro rapidamente por uma arma a altura de suas asas aladas…” asas aladas?? As asas tinham asas?? haushaushauhsua

  4. 4 Karina Matias 08/12/2012 às 10:19 pm

    Gosto muito dos seus posts contando alguma aventura sua… São os melhores!

  5. 5 Raquel 09/12/2012 às 4:30 am

    Que poha de cachorro é esse que não consegue matar uma barata??
    Enfim vc tem muito azar, mas disso vc ja sabia

  6. 6 Manu 09/12/2012 às 1:49 pm

    CHOREI DE RIR!

  7. 7 Clara 10/12/2012 às 9:09 pm

    HEUAHUEHAUH melhor post que tu já fez, serio

  8. 8 isabela 14/12/2012 às 3:53 pm

    AYSDGDGSYDGSGDSYADGYSA CHORANDO PQPPPP

  9. 9 Nicole 15/12/2012 às 12:25 am

    outro dia eu tava no banheiro e uma dessas enormes apareceu no papel higiênico!!! saí correndo com as calças arriadas gritando por socorro, mas não obtive ajuda. não contente, o inseto resolveu ir até a sala, causando pânico em todos os presentes. como mamãe não estava em casa, tive que recorrer à irmã-mais-nova para matar o monstro, cujo paradeiro ainda é desconhecido. agora só uso o banheiro meia hora depois de jogar litros de inseticida.

  10. 10 Leticia 19/12/2012 às 6:50 pm

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    sensacional, parabéns!
    só com você mesmo pra essas coisas aparecerem hahaha

  11. 11 Fernanda 05/01/2013 às 11:35 pm

    Matar uma barata nunca foi tão épico. 😛
    Suas aventuras cotidianas rendem sempre ótimos textos.

  12. 12 carol 16/02/2013 às 8:00 pm

    eu teria desmaiado assim q visse o lobo-barata

  13. 13 Dasty-Sama 01/03/2013 às 5:03 pm

    Foi realmente uma luta épica HUASHUASHUASHUASHU Sempre que eu vou matar baratas, penso que sou uma espécie de ninja com poderes especiais que consegue descobri-las através dos barulhinhos que elas fazem. Aqui em casa, apenas meu pai e eu temos coragem de enfrentá-las (minha mãe e meu irmão quase morrem do coração). Eu não tenho medo delas porque gosto de insetos, é.


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Apesar do Ensino Médio ser repleto de conhecimentos babacas os quais nunca terão a menor utilidade em nossas vidas, ele pode desmentir algumas informações as quais fizeram você acreditar ser verdade por toda sua vida.

Adão era digno de respeito: Além de não precisar usar cuecas e dar a primeira bimbada da história, Adão ainda não precisa viver momentos constrangedores pelo fato de existir outras pessoas no mundo. Porque falamos tanto de Jesus tendo um herói bíblico desses?



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