Inferno Astral-azarônico – O Show

Daremos continuação, portanto, aos flatos do fatídico dia.

(Na realidade, os ocorridos que agora vos descreverei ocorreram no dia seguinte, mas pra poder manter a ideia de unidade, direi que foi naquele mesmo dia, só que mais tarde.)

NAQUELE MESMO DIA, só que mais tarde, rumei ao meu lar. Eu e as moças do curso íamos pra um show do Scracho que tava rolando na PUC de grátis. Lá eu encontraria Nandão, o saudoso Nandão que muitos aqui estão familiarizados, e Lolo, que por questões jurídicas e de um imbróglio passado, jamais cito aqui na nossa casinha calculista, mas é uma das pessoas mais importantes na vida deste jovem que vos fala.

O show ia começar às 16:00 e era, por assim dizer, no fim do mundo. Não que fosse literalmente no fim do mundo – mas era tão longe quanto. E, por questões de força maior (também conhecidas como um campeonato de Pro Evolution Soccer), eu só saí de casa pra encontrar com as moças às 14:00. Era até fisicamente possível chegar a tempo. Eu só precisaria de muita sorte – o que já era o suficiente pra dar o caso como perdido.

Encontrei com as moças me esbugalhando em suor – fazia um calor infernal – e pegamos o primeiro busão em direção ao metrô. No metrô, encontraríamos Nandão, o Grande.

Chegamos ao metrô.

Amigos, Nandão é uma pessoa bem grande. Ele não tem o apelido de Nandão à toa. Se Nandão estivesse no metrô, nós saberíamos.

Nandão não estava no metrô.

Esperamos 20, 30, 40, uma hora. Eram 15:30 e nós ainda nem tínhamos pegado o metrô, que era a parte mais demorada do dia. O sol escaldante nos fazia pingar de suor, e nada daquela besta de 90kg aparecer.

E eis que meu celular toca. “Cara, eu cheguei no ponto final do ônibus e não vi nenhuma estação de metrô. Acho que eu não sei onde fica. O que eu faço?”.

Boa, Nandão. Boa.

Mandei o moço pegar o mesmo busão no caminho contrário e detalhei claramente como era a estação de metrô. E eis que mais 30 minutos se passaram e nada do Snorlax chegar. Liguei de novo pra ele.

“Cara, peguei o ônibus agora só, fiquei 20 minutos esperando no ponto errado, ai eu percebi que ele só passava do outro lado da rua”

Nesse momento me deu vontade de seguir em frente sem o moço. Apenas os fortes deveriam sobreviver neste mundo selvagem, e Nandão se mostrara uma criatura demasiada frágil e de fácil abate. Também pensei que, na minha situação, ele me abandonaria à mercê do destino e eu que me fodesse.

Nandão era o bezerro de pata ferida de minha manada de alazões.

Mas meu coração de Maria falou mais alto e esperei o desgramado por mais 20 minutos, até que ele enfim chegou ao metrô. Lolo, aquela linda, já estava na PUC e me informava do andamento do show. Assim que entramos no metrô, o show começara.

Se confirmava, portanto, que eu definitivamente não posso depender da sorte. Mas isso não é nada que nós já não soubéssemos.

apenas uma imagem épica para manter a taxa de imagens épicas do blog

Subimos correndo as longas rampas do metrô e rapidamente fomos até as roletas e eis que mais uma vez minha absoluta sorte ataca – o saldo do meu cartão de transporte esgotou.

Tive de catar moedas na carteira para pagar a passagem e descemos rapidamente as escadarias da estação.

Sentamos desolados enquanto esperávamos o trem. Estava cansado, atrasado, suado e minha boca ainda doía da agressão do totó. Não tardou o troço chegou e o adentramos.

Assim que as portas do metrô se fecharam, Lolo, aquela linda, me mandou a fatídica mensagem: “o show já acabou”.

Fiquei no dilema: conto ou não pro pessoal?

A parada era um festival. Teoricamente, teriam várias pessoas – estudantes da PUC, o que nós presumimos ser pessoas bonitas e endinheiradas – bebendo, ouvindo música e se divertindo. Mas se eu contasse que a Scracho já saíra do palco, as meninas, aquelas fresconas, provavelmente debandariam. Inventariam uma desculpa do tipo “temos aula”, ou “ah, eu só queria mesmo ouvir a banda”, ou até mesmo “não quero pagar a passagem de volta”.

E foi exatamente o que elas alegaram quando meu coração de Maria novamente falou mais alto e eu avisei que o show já tinha acabado.

“Ah, não vou pagar mais exorbitantes R$2,75 só pra ir pra um festival”. Eu realmente preciso de novos amigos, né.

Pelo menos Nandão, o Grande, decidiu que queria ir pro festival do mesmo jeito e seguimos juntos, eu e ele, ele e eu, nós quatro obnubilados.

Vejam bem – Lolo iria embora às 19:00, e àquela altura do dia, eu estava indo praquele lugar mais na intenção de vê-la mesmo. Dar um abraço naquela linda e tomar umas geladas com Nandão eram as únicas coisas que me fariam esquecer o inferno astral que eu vinha vivendo nos últimos tempos.

Acontece que apenas às 18:00 nós chegamos em Botafogo, onde pegaríamos um outro ônibus que nos deixaria na PUC.

O que vocês podem supor a partir de seus conhecimentos sobre minha sorte é que Botafogo nunca esteve tão engarrafado quanto estava naquele dia. I mean, really engarrafado. Do tipo de ficar 15 minutos em um sinal. E pra melhorar a situação e o engarrafamento, uma chuva milenar começou a cair no instante em que pisamos fora do metrô.

E o ônibus estava lotado, lógico.

Levamos 40 minutos pra chegar na PUC – isso por que nós saímos do ônibus no meio do trajeto e seguimos andando.

Aí os senhores já podem imaginar a situação – o que antes era suor, agora era um misto de água suja da chuva, poluição, mal cheiro e mistura de perfumes do ônibus. Meu cabelo já estava lamentável, minha pele um nojo, e assim que eu pisei na PUC, eu já queria voltar pra casa e me enterrar no chuveiro. E, vejam bem, pra eu querer tomar um banho, é por que a parada está realmente séria.

Chegamos no diabo do lugar exatamente às 19:00 quando, guess what, o evento estava marcado pra acabar às 19:00. Lindíssimo.

Ao menos consegui dar um abraço em Lolo, aquela linda, e acompanhá-la até o lugar onde o ônibus do condomínio dela a levaria – Lolo é burguesinha ao ponto de ter essas mamata de ônibus particular.

E é nesses momentos que você percebe que existem almas gêmeas.

Lolo é tão azarada quanto eu, brous. Ou pelo menos estava vivendo um dia tão infernal quanto o meu.

Acompanhei, junto a Nandão, àquela criatura de 1,50m até o ponto de ônibus na chuva e lá esperamos durante 40 minutos, só pra descobrirmos que ela havia perdido sua carteira de identificação e o ônibus não deixá-la entrar.

Quando o ônibus a ignorou, a criatura desabou no choro. Tentei, em vão, acalma a moça. Ela ligou para os pais aos prantos e estes decidiram que o certo a fazer era pegar um táxi – sim, Lolo é burguesinha a esse ponto. Se fossem meus pais, mandariam eu pegar um busão qualquer e tentar não morrer.

Lolo tinha medo de pegar um táxi sozinha, ser sequestrada, estuprada diversas vezes, esquartejada em pedaços milimetricamente formulados, pedaços estes que contariam com bastante atenção para sua genitália, para que ela pudesse ser estuprada mais vezes mesmo depois de esquartejada, para, enfim, ser jogada no rio que tem nos fundos do Barra Shopping.

Por isso, a moça quis dois homens fortes e grandes para protegê-la, e para isso contava comigo e com Nandão.

Pegamos o táxi com ela e fomos para mais longe ainda – dessa vez, fomos para a Barra.

Deixamos a criatura em seu condomínio lá pelas 20:00 e fomos andando até a rodoviária mais próxima, onde pegaríamos um busão para nossos lares.

Durante a andança, fizemos um resumo por alto do dia: calor infernal, espera interminável, abandono das amigas, ônibus lotado, chuva, mais chuva, andança na chuva, espera interminável na chuva, acompanhar uma criatura absurdamente adorável de 1,50m até seu lar na chuva, depois mais uma andança interminável para gastar mais 40 minutos em um ônibus, tudo para chegar em casa, tomar um banho e lembrar que no dia seguinte tinha aula às 7:00.

Os ventos não sopravam a favor deste que vos fala, amigos.

Mas não é nada que ele já não estivesse acostumado e disposto a encarar.

Para fechar o dia com chave de ouro – aquela chave de ouro MESMO -, durante a andança, Nandão ainda assoou o nariz e jogou o catarro PRA TRÁS.

GUESS WHAT QUEM ESTAVA ANDANDO ATRÁS.

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16 Responses to “Inferno Astral-azarônico – O Show”


  1. 1 Ra 21/11/2012 às 12:06 am

    Tem um rio atrás do barra shopping?

  2. 2 Almeida 21/11/2012 às 12:11 am

    Lógiquitem

  3. 3 Mariane 21/11/2012 às 1:06 am

    Almeida, apenas digo que temos que nos conhecer. Se eu disser que tenho o mesmo nível de ázarons que tu tens, provavelmente não acreditaria em mim. Mas quando li seu post falando sobre isso, simplesmente vi minha vida resumida a um post KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  4. 4 Aline 21/11/2012 às 1:22 am

    Meu Deus, cheguei a me sentir mal pelas risadas que dei.

  5. 5 Senhorita C. 21/11/2012 às 1:30 am

    Para tudo! O fato da espera do Nandão e o show ter acabado foi o FIM. Não era R$2,75 a mais, era uns 10 reais de passagens ou mais. Fora ter que esperar o senhor acabar de jogar o campeonato de videogame. Eu e Senhorita T fomos verdadeiras vítimas naquele dia e não vimos o Scracho. 😦

  6. 6 Raquel 21/11/2012 às 2:56 pm

    Pua que pariu eim, vc tem que se benzer pq assim não ta dando não
    Caramba muito escroto esse seu dia

  7. 7 Lhama 21/11/2012 às 11:22 pm

    virei uma leitora tua faz algumas semanas e puxei minha amiga junto pra rir das tuas desgraças. Cara, tu é o cara. kk

    Viramos tua fã só por conta do modo como tu escreve, as histórias azaradas são apenas um plus.

  8. 8 Nicole 21/11/2012 às 11:33 pm

    Eu tava com saudade de rir da desgraça alheia, por isso vim ler seu post novo. Veio a calhar. O vídeo do gordinho da minha sala caindo não era tão engraçado quanto seu dia azarônico, Almeida.

    Se servir de consolo, os ázarons resolveram agir na minha vida hoje também. E envolvia ônibus, o que, você deve saber, complica bem mais a porra toda.

  9. 9 Mariana Cunha 22/11/2012 às 9:49 pm

    chorando de dó!!!! i mean, really.

  10. 10 Laís 22/11/2012 às 9:57 pm

    Eu tava com saudade de rir da desgraça alheia, por isso vim ler seu post novo. (2) TOTAL LASKAÇLKSÇALKSÇLA

  11. 11 Isa 23/11/2012 às 12:38 am

    Realmente, tem coisas que só acontece contigo, tipo… um dia com 48 horas hauehauehauehauhe t.t

  12. 12 vane 27/11/2012 às 12:49 am

    meids, seu azar rende alguns dos mais engraçados posts do blog. Essa última do nandão… tsc

  13. 13 Gabi Casares 04/12/2012 às 1:50 am

    Uma vala e uma lagoa.

  14. 14 Gabi Casares 04/12/2012 às 1:52 am

    Que raio de show rápido é esse, que começa quando você entra na estação e, quando você entra no metrô, já acabou? Ou esse metrô tá demorando demais né rs

  15. 15 Almeida 04/12/2012 às 5:10 am

    in fact o show começou ANTES de entrarmos no metrô, mas só soubemos depois. E o show durou uns 40 minutos, era festival.

  16. 16 Gabi Casares 04/12/2012 às 7:37 am

    Ah sim, aí faz mais sentido 😀


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Apesar do Ensino Médio ser repleto de conhecimentos babacas os quais nunca terão a menor utilidade em nossas vidas, ele pode desmentir algumas informações as quais fizeram você acreditar ser verdade por toda sua vida.

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