Inferno astral-azarônico

Você já parou pra se imaginar velho? I mean, velho mesmo. Tipo caquético. Aquele velho que já tá todo mundo torcendo pra embalar de uma vez. Aquele velho que as pessoas só continuam visitando por obrigação social. Aquele velho que se caga com mais facilidade que um cachorro lambe o próprio saco. Aquele velho que tenta lamber o próprio saco mas quebra a tíbia no tento – não sei se vocês sabem, mas todo velho tem uma absurda facilidade em contundir a tíbia.

A maioria das pessoas se imagina como um velhinho adorável, fofo, ao lado de sua velhinha, ambos tomando café com leite às 15:00 de um domingo e assistindo Faustão.

Eu me imagino como aquele velho que toda criança gosta e toda pessoa em sã consciência odeia.

Levando em conta meus relacionamentos e a minha sorte com moças, eu serei aquele velho amargurado e solitário que mija na cabeça de uma criança na festa de aniversário dela – na hora do parabéns. Eu serei aquele velho que anda pela rua se perguntando o tempo todo por que eu simplesmente não me jogo na frente de um carro em movimento – e chegarei à resposta de que é por que eu quebraria a tíbia no tento e precisaria de ajuda de alguém.

E, principalmente, eu serei aquele velho mal humorado.

Veja bem. Eu sou um cara extremamente bem humorado hoje em dia, mas isso se deve único e exclusivamente ao fato de que eu aprendi a ignorar 90% das coisas que estão ocorrendo ao meu redor. 95% dependendo do local. A questão é que eu imagino que uma hora eu terei de, bem, passar a prestar atenção no que ocorre ao meu redor, se não morrerei em um acidente de carro, ou atropelarei alguém, ou porei fogo na minha casa, ou, quem sabe, tudo isso junto.

Viver em outra realidade é plenamente aceitável enquanto eu sou uma porra de um adolescente vagabundo, mas uma hora a vida exigirá que eu adentre o universo das coisas que eu sobrevivo por ignorar. E então, amigos, um outro Almeida surgirá.

Por que, brous, sobreviver a minha vida sem um bom humor constante é absolutamente impossível.

Diversas foram as vezes em que eu disse que não acredito em destino nem nada do tipo, já expliquei a teoria dos ázarons e tudo o mais. Pois veja bem: os ázarons andam tirando algum atraso de alguma realidade alternativa em que eu sou filho do Eike Batista. É possível citar três situações em um espaço de 12 horas em que eu corri risco de morte, e não foram “acidentes” comuns – foram coisas que só acontecem com o almeida.

Vamos organizar os flatos.

Primeiro: No intervalo das aulas do meu curso, meus companheiros e eu jogamos totó. Não apenas jogamos – nós humilhamos no totó. Brous, o negócio é de outro universo. Imagine uma mesa de totó. Agora imagine alguém fazendo um fuckin gol de cobertura no totó, ou dando elástico, ou fazendo jogada ensaiada, ou defendendo de cabeça. Nós somos do tipo que faz isso.

Só que, pra fazer essas coisas, é necessária um pouco de força, afinal, é o choque de duas pancadas extremamente fortes que faz com que a bola saia da mesa e levante vôo.

Diversas foram as vezes que a bola voou como se não houvesse amanhã próximo ao rosto de alguém. Certa vez, inclusive, a pelota deu um roundhouse kick na naba de uma moça, que ficou psicologico e fisicamente abalada até o fim do dia. A parada é realmente perigosa.

Eu que sei.

Estávamos jogando fervorosamente. Fazíamos ameças do tipo “vou comer seu cu com essa mesa, seu filho de uma puta obesa”, ou “vou arrancar suas bolas e pô-las em sua boca”, quando, enraivecido, dei um chute com toda a força que há em meus esbeltos braços. O adversário, aquele viado, respondeu com um chute de força semelhante, o que fez com que a bola levantasse vôo diretamente na minha cara.

Fui rapidamente ao banheiro pois percebi que minha boca menstruava. Minha preocupação maior era ter quebrado o dente, o que seria um resultado totalmente plausível pra força que aquela desgraçada me atacou. Após o estresse pós-traumático

a parada ficou RIHANNA STYLE por uma semana.

Na aula de redação, alguns momentos mais tarde naquele mesmo dia, percebi que faltava grafite em minha lapiseira. E, como já era de se esperar tendo em vista minha sorte recente, a turma inteira, coincidentemente, tinha apenas grafite 0.7, enquanto eu ansiava 0.5. Agora me digam: em que diabo de universo ninguém tem um único grafite 0.5?

Me vi na eminente necessidade de descer a rua e comprar um na papelaria mais próxima. Chamei meu companheiro Caio, um vagabundo que aceitaria qualquer coisa que o tirasse de uma aula de redação. Fomos ratamente até a papelaria, comprei o meu grafite por absurdos 3 reais (essa porra dessa crise chegou mesmo, ein? E olha que eu comprei o grafite xing ling lá, o da fabercastell era o preço do meu apartamento) e voltávamos para o curso quando o sinal abre.

Esperamos, calmamente, na calçada enquanto os carros iam e vinham. O que ocorre é que o sinal em que estávamos é um cruzamento. Assim, ó:

esquema realista da situação

Não sei se isso é uma peculiaridade do Rio de Janeiro – espero que seja, mais ninguém merece isso -, mas aqui, as pessoas pobres e ignorantes que tiraram carteira de motorista ilegalmente e não conseguiram arrumar um emprego decente, tem o escroto hábito de pegar uma Kombi ou uma van absolutamente irregular, com os pneus carecas, sem freio, sem porta e, muitas vezes, sequer sem o chão, e sair por aí trabalhando como “mini-ônibus”. Elas tem um trajeto fixo e os transeuntes já sabem quais são eles, e costumam ser mais baratas que os ônibus, o que explica por que alguém colocaria a vida em risco ao invés de simplesmente esperar mais cinco minutos por um ônibus – a pão durice da sociedade é maior do que seu apreço pela integridade física.

E eis que uma van dessas, tentando ultrapassar um carro antes que o sinal fechasse, subiu na calçada e adivinhe quem estava justamente ali: EU.

Eu consegui a maldita façanha de ser atropelado NA CALÇADA.

“Sorte” – não sei se isso pode ser chamado de sorte ou apenas de falta de quantidades estrondosas de azar – é que ela pegou principalmente no meu braço e ombro esquerdo, deslocando meu corpo pra frente e me livrando de machucados mais sérios. A sacolinha com o grafite, que era segurada por esse braço, voou para o outro lado da rua, praticamente.

Fiquei tão atônito com a situação – imagine uma van pulando da calçada, batendo em você e indo embora – que nem percebi que a van acelerara rapidamente e sumira de vista em questão de instantes.

Não contente em ter sido agredido por uma bola de totó e por um transformer, ainda na aula de redação, observando o que a professora proferia sobre o tema, uma mosca voou fervorosamente em minha direção, bateu vigorosamente no meu óculos e caiu morta.

EU FUI ATACADO POR UMA PORRA DE UMA MOSCA KAMIKAZE. Se não estivesse ali o óculos, eu provavelmente estaria cego por causa de uma mosca. E, novamente, não sei se digo “que sorte, ein?” ou “puta que me caralhas, ainda bem que eu não tive ainda mais azar”.

Você pode pensar que a história acabou por aqui.

Você provavelmente não me conhece.

Até então, vos relato um dia ruim que acontece para qualquer um. Mas quem vos escreve é o Almeida, amigos. E se foder nunca é suficiente para um Almeida.

Mas o resto eu só conto no próximo post.

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14 Responses to “Inferno astral-azarônico”


  1. 1 Y. 15/11/2012 às 8:05 pm

    Uma bola de totó, um transformer e uma mosca kamikaze.
    Cara.
    Caara.
    I can’t even.

  2. 2 Gabriela 15/11/2012 às 8:05 pm

    Caramba, você tem um talento incrível pra escrever, parabéns! hahah (sinto muito pela sua falta de sorte)

  3. 3 Érica Colombo 15/11/2012 às 8:08 pm

    AAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHHAUHAUAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHUAHAU
    SOS QUEM CONSEGUE A FAÇANHA DE SER ATROPELADO NA CALÇADA????

  4. 4 Thiago 15/11/2012 às 8:14 pm

    Você tem tanta sorte quanto eu D:

  5. 5 Bruna Almeida 15/11/2012 às 8:14 pm

    já fui atropelada tipo assim, e já vi meu irmão quebrar o nariz com uma bolinha de totó, mas cara, uma MOSCA KAMIKAZE é de mais! só você mesmo Almeida. espero humildemente que esse pseudo azar/ astral-azarônico não esteja ligado ao sobrenome e etc, se não metade do Brasil se fode constantemente assim, incluindo a minha pessoa

  6. 6 Fernanda 15/11/2012 às 8:46 pm

    Pelo menos você tá vivo.
    shuahsuahsua

  7. 7 Mariana Cunha 15/11/2012 às 9:09 pm

    A sua sorte é de estar vivo, apenas. D:

  8. 8 Monica 15/11/2012 às 9:14 pm

    Parece um dia normal para mim hahaha, já fui quase atropelada pelo menos 12 vezes. Mas muito interessante e divertido seu post, realmente tens talento daria um ótimo escritor!!

  9. 9 Grasie 15/11/2012 às 9:58 pm

    Como sempre Almeida! uashauehas bate até uma dózinha.

  10. 10 Fmattosa 16/11/2012 às 3:08 am

    Almeida, tu é muito azarado, cara!! HASHSHSHSH

  11. 11 Pingu 18/11/2012 às 3:17 pm

    É pebolim, seu carioca obeso!

  12. 12 vane 18/11/2012 às 7:18 pm

    Eu fui atropelada por uma bicicleta no meio-fio. Acho que entendo, minimamente, o sentimento de ser atropelado numa situação tão idiota. Ah sim, os ázarons te perseguem. Em proporções jamais vistas neste planeta.

  13. 13 Marinna 22/11/2012 às 12:02 am

    E eu pensando que eu era azarada.. Mas ai eu leio sobre a Mosca Kamikase e pensei “esse manolows merece o meu respeito”. Vou rezar pro vc hoje.

  14. 14 vick 29/11/2012 às 1:29 am

    fazia tempo que eu não ria TANTO!


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