Sou um adulto.

Era uma sexta feira extremamente nublada. Daquelas que tu olha pro céu e pensa – caralho, hoje metade da favela vai vir abaixo e falarão disso durante um mês. Você anda na rua já se preparando psicologicamente para os noticiários repetitivos do dia seguinte e para os ignorantes do facebook compartilhando imagens pois o facebook vai doar 0,05 centavos pras vítimas por cada compartilhando.

Mas eu, gozador de poderes nobres em meu reino do Méier, olhei para o transeunte aleatório que passava e mandei – ei, você! Tire estas nuvens dai.

E foi o que aconteceu. Mal sabia eu que aquele transeunte era uma besta.

Eu queria ir num musical que tá rolando no Leblon e minha amiga Gordinha também. Mas, para isso, seria necessário duas coisas: a) ter um ingresso e b) aprender a ir pro Leblon. Por que, amigos, se existem duas afirmações as quais posso fazer baseado no meu pouco conhecimento sobre o Leblon são – até o ar lá é cheiroso e, puta que pariu, como é difícil chegar naquele lugar.

Se algum dia vocês tiverem a benção de ir ao Leblon, lembrem deste texto e respirem fundo. O ar lá é perfumado. Diferente de Bonsucesso, por exemplo, onde o ar é perfumado com o delicioso odor de cocô e mendigo. Lá é uma junção dos perfumes mais caros da américa latina com uma pitada de aquele-aroma-que-você-mais-gosta-no-universo. Existem pequenos anões nos esgotos do Leblon especializados em descobrir o cheiro preferido das pessoas, e assim que eles descobrem, descarregam pequenos frascos daquele odor aonde você passar.

Mas, para chegar lá, meus amigos, que sofrimento do inferno.

Eu e Gordinha nos encontramos no metrô e tivemos de pegá-lo, o que, considerando, é uma coisa bem adulta a se fazer. Pelo menos no Rio de Janeiro, onde o metrô é uma aventura à parte. Enquanto passávamos por Triagem, parte onde ele é “por cima da terra” – geralmente o metrô é subterrâneo, mas em Triagem, por algum motivo, ele é tipo o trem – alguém jogou uma pedra na janela, a qual QUEBROU O VIDRO e bateu na cabeça da mulher sentada DO NOSSO LADO. Gordinha quase teve um ataque cardíaco.

O mais próximo que poderíamos chegar do Leblon pelo metrô é na estação de Ipanema, que fica há uns 5km do Leblon. Em Ipanema, pegamos um ônibus e fomos até o local do teatro. Compramos nosso ingresso para o  musical e chegamos à conclusão de que não tínhamos a menor ideia de como voltar pra casa.

Tendo isso em mente e o fato de a praia estar há apenas dois quarteirões, decidimos ficar andando sem rumo pela orla da praia enquanto tentávamos pensar no que faríamos a seguir.

E então, meus amigos, que eu peço para se lembrar daquele transeunte ignorante o qual eu mandei tirar as nuvens do Méier. Pois bem – a besta mandou todas as nuvens para o Leblon. De início, foi até bom – o céu estava completamente fechado, a praia, deserta, batia um vento vez ou outra e o cenário ficava realmente bonito. Se olhássemos pra trás, víamos o Pão de Açúcar envolto em nuvens pesadas, se olhássemos para o lado, víamos a praia com o sol se pondo no horizonte e, se olhássemos pra frente, tínhamos toda a praia de ipanema/copacabana/botafogo, deserta, a nossa espera.

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Estávamos andando despreocupadamente num cenário que pessoas do mundo inteiro morreriam para ver.

Depois de algumas horas – e muitos quilômetros – andando, decidimos arrumar um jeito de irmos pra casa. O problema é que eram exatamente 18:00, e imagino que vocês estejam cientes que o horário de rush na zona sul do Rio de Janeiro é tão movimentado quanto o dia-a-dia de uma lesma paraplégica. E, para piorar a situação, uma das chuvas mais foderosas que eu me lembro de ter visto começou a cair daquelas pesadas nuvens.

Decidimos, então, nos abrigar em um shopping de Botafogo até umas 20:00, quando tudo já estivesse mais calmo.

E é aí, amigos, que vos convido a pensar. Sei que vocês não costumam fazer isso com muita frequência, mas vamos lá, se esforcem.

Em um dia nós pegamos metrô, compramos ingresso para um musical, passeamos por toda a zona sul do rio de janeiro despreocupadamente. Adolescentes não fazem esse tipo de coisa. Nós somos, enfim, adultos. Mas, para fechar com chave de ouro, faltava uma coisa.

Estávamos famintos. Tipo, muito. Tão famintos que o McDonalds não nos apeteceu. E isso é certamente sintoma de alguma coisa.

Passamos pelo McDonalds e não sentimos a menor vontade de comer ali. Na verdade, fomos direto para o Spoleto jantarmos macarrão. E então, pegamos uma mesa nossa, compramos o macarrão que melhor nos apetecesse e jantamos.

Saindo dali, fomos até a Saraiva pois Gordinha precisava ver um livro que ela precisava ler para a faculdade de Pedagogia que está cursando.

Deus do céu, eu sou um adulto. E não sei se isso é uma coisa boa, mas sei que é um fato.

E também já sei para onde levar minha namorada. Assim que eu tiver uma, é claro.

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13 Responses to “Sou um adulto.”


  1. 1 Grasie 20/05/2012 às 6:22 pm

    hahaha Almeida, se for pensar assim sou adulta a muito tempo ja que não gosto de comer no Mac kk

  2. 2 Carol 20/05/2012 às 6:26 pm

    Vish mamilos, já pode ir para a máfia heim, Guilherme.

  3. 3 Carol 20/05/2012 às 6:36 pm

    Se for pensar assim eu sou adulta desde quando nasci, pois moro na “roça” e aqui ñ tem McDonald’s. O mais próximo fica uns 250 quilômetros daqui. Muito boa essa minha vida.

  4. 4 carol 20/05/2012 às 6:37 pm

    own, nosso almeida cresceu

  5. 5 Lara 21/05/2012 às 7:31 pm

    “Sou homem!”. Bento Santiago feelings.

  6. 6 suzana 22/05/2012 às 7:08 pm

    somos duas querida

  7. 7 Gabi Casares 23/05/2012 às 9:14 pm

    Não entendi o espanto pelo metrô d Triagem ser por cima da terra. Da Pavuna até a Cidade Nova ele é todo por cima da terra. Isso é quase a metade do metrô! rs

    Bem, agora só falta ir dirigindo pra virar adulto! =D

  8. 8 Mariana J. 28/05/2012 às 4:28 am

    Todo mundo vira adulto nessa porra menos eu? Parabéns Almeida! Grande realização e ótimo post, haha.

  9. 9 Tati Otonashi 05/06/2012 às 8:58 pm

    “Sou homem!”. Bento Santiago feelings. (2)

  10. 10 Érica Colombo 10/06/2012 às 1:37 am

    Adoraria passear pelo Leblon nessas circunstâncias descritas (o pão de açúcar, as nuvens, você.)
    hehe

  11. 11 Clara 27/06/2012 às 10:49 pm

    QUE ISSO ALMEIDA, NAO POSTA MAIS NAO?

  12. 12 Tati Otonashi 28/06/2012 às 5:16 pm

    Isso foi um post de despedida? 😦
    Diga que não…

  13. 13 Thais 25/07/2012 às 4:15 pm

    Não li tudo porque as minhas lentes de contato não deixaram, mas o único cheiro que eu senti no Leblon foi o de McDonalds aiushdaij


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