Aventuras Carnavalescas – pt. 1

Sábado passado, início do carnaval, o dia amanheceu comigo na Rodoviária junto a meus amigos esperando um ônibus rumo a Saquarema. Saquarema é uma das muitas cidades do Rio de Janeiro que só existem durante o Carnaval. Durante os dias de festa o lugar não tem espaço nem mesmo para um peido – e isso eu sei muito bem -, mas assim que se aproxima a quarta feira de cinzas, o lugar fica às traças. E esse ano não foi diferente.

Depois de quatro horas de ônibus – pegamos um engarrafamento fodido num fim de mundo desses aí, lá por maricá – chegamos ao local. Um amigo nosso – eu estava com mais cinco amigos – tinha uma casa lá e havia liberado para nós. Ele só chegaria mais tarde. Já havia ouvido boatos sobre o lugar, mas jamais pensei que seria tão ruim quanto o que eu tinha visto.

Cada segundo naquele lugar era um risco diferente. Assim que adentramos o local pela primeira vez, nos assustamos com os matos de 2 metros de altura que cultivavam todos os tipos de animais silvestres em seu interior. Também nos assustamos com os SETE ninhos de marimbondos no local, principalmente quando eles vinham atrás de nós.
Conseguimos nos acostumar com estas pequenas adversidades, mas elas não pararam por aí. O local era também infestado de mosquitos, aranhas e, por vezes, apareciam baratas. Não apenas baratas, baratas espartanas e voadoras. Lembro de ter tentado matar uma, mas ela voou. Corri atrás dela tal qual um templário corria atrás da terra santa, mas a bicha me atacou e, assim que hesitei um instante, ela desapareceu na escuridão do banheiro. Jamais corri um risco tamanho.
Até com isso conseguimos nos acostumar. Mas, amigos, ai o negócio começou a ficar doido.
Havia apenas um quarto para agrupar os nove homens que ali viviam. E é certo que em um quarto onde há nove caras não pode faltar uma competição de quem solta o peido mais fedido. Na verdade, essa competição era constante e não havia nada mais recompensador do que fazer os olhos de alguém lacrimejar ou conseguir irritar os outros 8 com um único flato. Os ataques poderiam ocorrer a qualquer instante – fosse dormindo, fosse comendo, fosse até conversando com a dona da casa.
A questão é que peidos invariavelmente são acompanhados por um barroso pesado. E onze caras (eram nove em um quarto e dois no outro, que era o quarto dos donos da casa) largando um barrão constantemente em um único banheiro não pode dar certo. Deu um revertério louco no encanamento e eis que inundou o banheiro. Não inundação de água, inundação de bosta mesmo.
Sempre que alguém ligava uma torneira ou o chuveiro, o ralo do banheiro expelia água e bosta pra todos os lados. Todos os lados mesmo. Em certo momento abdicamos até de tomar banho, uma vez que o chão estava completamente marrom. Também não mais pudemos usar a privada ou a torneira. Em fato, não pudemos usar mais torneira nenhuma da casa, exceto a do tanque – que ficava embaixo de uns quatro ninhos de marimbondos. Sempre que se abria uma torneira, o ralo do banheiro expelia ainda mais bosta e água. Não sei quem foi o engenheiro de encanação (?) que fez aquilo, mas posso dizer que foi literalmente um trabalho de merda.
Gostamos de dizer que concretizamos alguns ditados populares – “cagar no mato”, “ficar na merda” e “quebrar a cara”, este último por que dormir em um quarto com 9 caras e não levar um chute na cara enquanto dorme é uma façanha inviável.
O certo é que nos instalamos na casa e esperamos a noite cair. Agora sim veríamos se aquela aventura valeria a pena.
Tomamos banho – enquanto o banheiro ainda era utilizável, a bosta só invadiu lá pelo terceiro dia – e nos arrumamos para a noite. Agora, amigos, preciso que vocês entendam que tudo é relativo. Logo no primeiro dia já fomos para o trio com um estoque de 3 garrafas de big apple e ainda compramos tequila e vodka por lá.
Eu não lembro de absolutamente nada do primeiro dia. Nada mesmo. Foram tiradas fotos que eu não vi. Foram contados casos que eu não lembro. Aquela noite simplesmente não existiu. Tudo o que lembro é de ter sido chamado de Harry Potter por uma vagabunda no ônibus, ela ter pedido pra ver minha varinha e meus amigos ficaram me sacaneando por um tempo, depois disso, apenas a cena de todos voltando pra casa ao amanhecer, esgotados. Dormimos até as 14:00 do dia seguinte.
****
Agora sim as coisas começaram a ficar interessantes, pelo menos as que eu lembro.

Eu sofri bullying. A maioria dos moleques já haviam estado lá em saquarema ano passado, mas como eu expliquei na época, eu fui excluído dessa viagem. Desta forma, esse ano eu era um calouro, e calouros sempre se fodem. O meu trote foi ter metade da cabeça raspada – o que nem foi tão ruim levando em conta a situação que se encontrava o meu cabelo.

Cachos sedosos e macios.

Vejam bem:

Primeiro dia (antes do trote)

Segundo dia (após o trote)

Merda por merda, foi até bom terem raspado, desta forma ficava mais fácil lavar. A única certeza é de que permaneceu uma merda. E eu sei que muitos devem estar se perguntando “porra, o Almeida já foi um jovo tão charmoso, o que é que aconteceu que ele está esse troço feio?”. Eu entendo o ponto de vista de vocês e até concordo. E é por isso que decretei o renascimento da aparência almeidística – de agora até o meio do ano estarei novamente digno de ser abusado sexualmente por moças leitoras da Capricho. Voltarei, enfim, a cuidar do cabelo, da pele, etc, etc. E a me vestir decentemente também. Aguardem.

Devo avisar também que estes são os únicos registros fotográficos tirados em toda a viagem, com excessão desta última foto aqui:

Agora diz aí: uma cela de prisão não parece bem mais aconchegante? E é.

Apenas uma parte do grupo estava nessa foto, a outra parte estava no banheiro. Aliás, estranha situação me deparei esses dias – como o tempo era curto, as pessoas se amontoavam no banheiro sem pudor algum. Duas tomavam banho ao mesmo tempo em um box mísero, enquanto outra largava um barrão, uma quarta escovava o dente e uma quinta ficava ali só pra conversar. Entrei no banheiro por um instante e constatei que o cheiro de lá era pior que o cheiro de cecê de gorda que fica nas casas de show após uma apresentação da Restart.

Acho que estou conseguindo transmitir o quão lamentável eram os ocorridos nessa casa, não?

Não. Não há palavras para descrever, amigos. Não há.

Mas amanhã eu juro que tento mais um pouco. Por que, afinal, ainda faltam 4 dias de carnaval e tem muita história pra contar.

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19 Responses to “Aventuras Carnavalescas – pt. 1”


  1. 1 Felipe 25/02/2012 às 3:53 pm

    Você devia colocar o esquema de comentários via facebook. É bem melhor :3

  2. 4 Lara 25/02/2012 às 3:58 pm

    esperando o proximo post *-* shaushaushaush

  3. 5 Fernando 25/02/2012 às 4:02 pm

    Bagulho ta ficando envolvente

  4. 6 Helo 25/02/2012 às 4:04 pm

    haahahahahaa saquarema já é sinônimo de marimbondo + barata + merda! essa tua viagem tá parecendo a que fiz no ano novo,com a diferença de que eram 6 garotas que demoravam 2 horas pra se arrumar em um único banheiro toda noite rs. mas geralmente essas são as melhores viagens da sua vida,a nao ser que tenha sido picado por um marimbondo…..

  5. 7 mandy 25/02/2012 às 4:04 pm

    caraaaaaaaaaalho hahahahahaahhahahahaha ainda bem que eu fiquei em casa no carnval kk

  6. 8 Carolina 25/02/2012 às 4:24 pm

    O que você deixou que fizessem com seu cabelo? 😦

  7. 9 amanda 25/02/2012 às 4:27 pm

    és sempre um jovo bem charmoso :3

  8. 10 amanda 25/02/2012 às 7:12 pm

    ah, e o novo banner ficou incrível, por sinal ..

  9. 11 vane 25/02/2012 às 10:58 pm

    Que dó dos seus cachinhos! Eu adorava eles D: Espero mais aventuras carnavalescas…

  10. 12 Kauane Mello 26/02/2012 às 1:00 am

    Bah, Meids auhauhua Poor baby.
    Feliz em saber que voltará a se cuidar! Vai ficar bonitão de novo. By the way, quem é esse teu amigo com a camiseta escrito “He is gay –>” na segunda foto? Diga a ele que uma gaúcha loca mandou um beijo ;D ahahahhaha

    Novo banner ficou bala, nice job. E tirar o coraçãozinho da Cheri no “i” foi uma ótima ideia auhauhua

    Aguardo a pt. 2 ô/

  11. 13 fmattosa 26/02/2012 às 1:50 am

    ALMEIDA PASSOU CARNAVAL PERRRRRRRRRTINHO DE MIM

  12. 14 fmattosa 26/02/2012 às 1:51 am

    Almeida, vocês, ou alguns de vocês, por acaso foram a Arraial algum dia? Se foram, eu vi um desses meninos aí.

  13. 15 Fernando 27/02/2012 às 2:13 am

    @fmattosa

    Não, não fomos.

  14. 16 sem calcinha 27/02/2012 às 9:47 am

    Adoro me mostrar peladinha na web cam

  15. 17 Tati Otonashi 29/02/2012 às 11:42 am

    Próximo carnaval vá para Araruama, o carnaval é bem melhor. 😉

  16. 18 Lis 01/03/2012 às 12:48 am

    NOSSA

    aguardo ansiosamente o restante

  17. 19 @leek4 07/03/2012 às 10:11 pm

    no aguardo!


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Apesar do Ensino Médio ser repleto de conhecimentos babacas os quais nunca terão a menor utilidade em nossas vidas, ele pode desmentir algumas informações as quais fizeram você acreditar ser verdade por toda sua vida.

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