Lhes devo explicações pela falta de posts

Na verdade, não lhes devo porra nenhuma, mas as darei por que sou um cara muito legal.

O primeiro e mais culpado motivo pelo qual não tenho postado acá é que tenho tido uma arrebatadora e absurdamente grande preguiça. Se eu tivesse que escolher entre postar no blog ou não fazer nada, seria uma escolha proporcional a ter herpes genital por ter posto o pinto no buraco de um banheiro público a comer a Megan Fox. E todos sabem que eu preferiria comer ou Megan Fox, muito por quê só completos idiotas pegam herpes num banheiro público.

Já o segundo motivo, eu explicitei nesse post aqui.

Não só o meu quarto está entulhado de caixas para a mudança, como está coberto por uma mortal crosta de poeira que, pra um cara extremamente alérgico como eu, teria um efeito similar ao da cocaína pra Amy Winehouse – e nós não queremos isso. A mim, pelo menos, não parece uma ideia muito atraente.

Aliás, devo avisar que no novo apartamento terei, novamente, um quarto só para meu computador  e home theater, só que, dessa vez, com um bônus – TEREI UMA JANELA. Pra quem não sabe, este meu atual quarto não possui uma janela. Ficar aqui com a porta fechada é como ficar dentro de um carro fechado dentro de uma garagem, ou de um elevador com o meu amigo Jackson, que não consegue passar mais de 5 minutos sem flatular um gás mortal.

Meu sonho de consumo sempre foi uma janela. Me sinto como o menino Harry Potter na casa dos Dursley.

****

Domingo eu fui no paintball. Foi uma experiência única na vida que eu com certeza poderia continuar vivendo sem ter.

Não tava muito afim de ir no troço, mas meus amigos pressionaram. Não que eu realmente não quisesse ir, mas é que teria de pagar 30 reais e a crise chegou ao meu bolso. Abri minha carteira e só tinha UMA NOTA de DOIS REAIS, junto a algumas borboletas que saíram voando cinematograficamente.

Consegui que minha mãe me emprestasse vinte e meus amigos fizeram uma vaquinha pra arrumar os outros 10. No domingo, então, acordei cedo e me encontrei com o pessoal pra ir. Tava frio, chuvoso, então eu coloquei uma camisa comprida e uma calça, como sempre faço. Quando encontro o pessoal, me deparo com a triste realidade de que, cada um, usava umas QUATRO CALÇAS, TRÊS CASACOS e CINCO CUECAS.

“Porra, cês tão com tanto frio assim?”
“Não, é pra proteger dos tiros de paintball”
“ué, eles não dão uma proteção lá?”
“não. Tu vai vestindo só isso?”
“aham”
“tá fodido”

Não que eu tivesse lá muita opção. Não estava em posição de voltar pra casa e simplesmente desperdiçar 30 reais.

Pegamos o busão e fomos em direção ao local. Chegando lá, a surpresa – o lugar era muito fodido. Um grande muro branco, todo pichado, com restos de construção (tijolos, pedras, copinhos de guaravita, um mendigo) jogados por todos os lados, cachorros correndo e cagando em cima das pedras e muito, muito espaço. O céu completamente fechado e ameaçando chover completavam a imagem de que alguém sairia com a cavidade anal desbravada daquele local.

Adentramos o recinto. Como já disse, não estávamos em posição de desperdiçar 30 reais por falta de bagos.

Entrando lá, vários moleques suados e feios – do tipo que vão ao show do Sorriso Maroto, se é que vocês sabem do que eu estou falando – completavam a rodada deles e gritavam xingamentos uns aos outros. A vaga ideia de ter que jogar contra eles fez com que eu quase desistisse daquela porra. Eu nunca havia jogado Paintball, e os putos provavelmente treinavam aquela porra LIVE ACTION em eventos sucintos e chiques, como a Guerra no Rio ou a instalação de UPP’s.

Graças a Deus os caras saíram de lá – todos com suas respectivas camisas do Flamengo – poucos instantes depois e eu e meus amigos recebemos nossas armas e capacetes. Agora tudo o que precisávamos fazer era dar tiros extremamente dolorosos um na bunda do outro durante duas horas, e ainda pagar por isso.

Saí mendigando roupa e consegui mais duas camisas para proteger meu peito. Para proteger o saco, retirei as meias que protegiam meus pézinhos cheirosos e as coloquei na cueca. Em hipótese alguma eu poderia levar um tico no saco. Seria morte certa para qualquer sombra de possibilidade de ter filhos um dia.

Estava na hora de acertar algumas bundas alheias.

Nos dividimos em dois grupos de quatro e cada um foi pra sua base.

O terreno era uma réplica de uma casa completamente destruída. Tinha banheiros, quartos, um sótão e um porão, além de vários corredores. A parada era tão bem feita que não me assustaria caso alguém realmente morasse ali antes da parada ser, sei lá, invadida por um grupo de policiais e bandidos dispostos a fazer uma encenação realista de Sr. e Sra. Smith.

O primeiro teco foi logo na primeira rodada. E o primeiro motivo pra confirmar meu arrependimento de ter ido naquela porra também. Todo o meu time já havia morrido, e faltavam dois para morrer do outro time. Fui, calmamente, supervisionando o local e procurando os infelizes. Encontro um puto pulando do outro lado da casa e miro nele. Antes que pudesse atirar, eis que, na minha lateral, um filho da puta ACERTA A PORRA DE UM TIRO BEM NO MEU PESCOÇO.

Parece um chupão. E eu gostaria que fosse.

Nem doeu tanto. Acho que o fato de eu não conseguir respirar chamou mais a minha atenção do que a dor, a qual eu só comecei a sentir quando cheguei na minha base e os caras fizeram o favor de avisar que estava sangrando.

Fiquei desolado.

Outra rodada.

Meu grupo tinha a grandíssima cara de pau de não sair da base. Ficavam todos escondidos atrás de barris ou de pneus só esperando alguém do outro time dar mole para levar um teco na xonga. Logo, eu não poderia, sozinho, ir invadir a base dos outros. Tive de ficar de camp também. Até consegui matar uns dois ou três caras, mas a maior parte das vezes eu acabava levando um teco. Levei um na perna e dois no braço.

E era sempre do mesmo cara.

No outro time tinha um puto que jogava campeonatos nacionais e o escambal. Enquanto todos estávamos extremamemente protegidos, o puto jogava de camisa e short, e ainda conseguiu jogar as duas horas conosco sem tomar um tiro sequer.

Saí da parada desolado. Eu havia protegido o peito com 3 camisas e um colete, e não havia tomado um tiro sequer no peito. Havia protegido o rosto com um capacete, e não tomei um tiro sequer na cara. MAS NO BRAÇO, QUE TAVA SEM NADA, LEVEI DOIS.

O tiro no pescoço eu não vou nem comentar.

Saí de lá decidido a nunca mais voltar naquela porra. Mas, mais tarde, lembrando os momentos, até que gostaria de ir de novo. Dessa vez protegido e com uma equipe que não fosse tão cagona. E com uma gola alta, sem dúvida.

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17 Responses to “Lhes devo explicações pela falta de posts”


  1. 1 Duda Amorim 23/08/2011 às 8:37 pm

    Finalmente temos um post novo, YAY!

  2. 2 isa 23/08/2011 às 8:45 pm

    kkkk porra almeida como que tu deixa te acertarem no pescoço?passa gelo que melhora e pá.

  3. 3 Vitória Vergetti 23/08/2011 às 8:48 pm

    nossa, e eu ainda tava pensando em ir.

  4. 4 @xkiiwi 23/08/2011 às 10:07 pm

    tadinho do almeida.. Se fodendo, pra variar kk

  5. 5 Mari 23/08/2011 às 10:19 pm

    HSKSFJDHFJKSFDHDS COMO O PUTO CONSEGUIU TE DAR UM TIRO NO PESCOÇO? é muita sorte mesmo almeida

  6. 6 @ericaiscoollike 23/08/2011 às 10:34 pm

    Um dia eu estava em um hotel que tinha uma ilha particular, bem legal e tal. E um pessoal jogava paintball lá. Então eu e meus friends fomos lá pra jogar, dai eu perguntei pro cara que cuidava dos equipamentos se o tiro machucava e tal. Ele me diz: “Nem machuca, só faz umas marquinhas”. Então ele estende o braço e me mostra a suposta “marquinha”. ERA UM HEMATOMA GIGANTESCO, VIREI AS COSTAS E FUI PRO QUARTO.

  7. 7 Gabs 24/08/2011 às 12:36 pm

    Nunca joguei paintball, e acho que nunca jogarei.

  8. 8 Thereza F. 24/08/2011 às 2:27 pm

    Sempre quis jogar paintball. Esse post destruiu toda minha vontade, bjs.

  9. 9 Leandro Finotelli 24/08/2011 às 3:05 pm

    vcs estaum muito frescos!!!!
    o tiro doe um pouco sim!!!
    mas não chega a ser isso tudo, mas tem que ver que não é uma brincadeira de bonecas, e que a ideia é dar tiros e não tomar os tiros

  10. 10 @leek4 24/08/2011 às 7:10 pm

    sorte sua.
    quando fui tomei um tiro na cabeça e acertei um cara do meu time ><

  11. 11 Mi 24/08/2011 às 8:57 pm

    Ok, tiro no pescoço deve ser bem ruim. Eu já levei dois tiros na bunda, tipo, não conseguia nem sentar. Vi gente comentando que eu tinha hemorróida, mas blz. Já levei um na mão e me apelidaram de Jesus. Esses negos da minha escola são uns amores, nhw. -n

  12. 12 Vitória 25/08/2011 às 6:46 pm

    nossa esse paintball parece tão violento, perigoso. QUERO JOGAR AGORA

  13. 13 Alex Gama 26/08/2011 às 3:46 pm

    Meidaa corrige um pedacinho ali que ficou estranho.. tu colocou “Em hipótese alguma eu poderia levar um ‘TICO’ no saco.”
    TICO > TIRO

  14. 14 Bruna Almeida 27/08/2011 às 9:27 am

    post novo lol, todos comemora, haha. Almeida não tenha preguiça, é muito ruim ficar sem posts novos :/ mas aposto que sua janela vai te deixar motivado agora, rs

  15. 15 Hellen 27/08/2011 às 7:29 pm

    Sempre quis jogar paintball. Esse post destruiu toda minha vontade, bjs. [2]
    Acho melhor economizar 30 reais .-.

  16. 16 fmattosa 28/08/2011 às 10:25 pm

    “todos com suas respectivas camisas do Flamengo” sempre tenque sacanear o flamengo, né? KKK, me dá um puta ódio quando você fala dele, mas ao mesmo tempo, fico rindo aqui.

    Caraca Almeida, tu nunca tinha ido á um Paintball? SEU SEM INFÂNCIA, tsc tsc. Também nunca fui ‘-‘ KKK, tô querendo ir, mas essa história que tu contou, já me descreveram antes, então me cago de medo de ir e voltar cheia de ematomas pelo meu corpo.

  17. 17 Nicole 21/10/2011 às 6:46 pm

    quando fui no paintball tinha a proteção e tal, mesmo assim quase não sai das barreiras de proteção e consegui levar mais tiros que as pessoas que invadiram o campo.


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