E nasce um monstro.

A partir de agora, eu sou o tipo de menino que você sentiria orgulho de apresentar para os seus pais sob a alcunha de namorado. E sou o menino que eles teriam orgulho de chamar de genro.

Todo bom jovem, ao sentir a catinga de cadernos e livros novos no início do ano promete pra si mesmo e para seus pais que, naquele ano, será um bom aluno. Durante a primeira semana leva a promessa a sério, mas quando a ponta do lápis quebra pela primeira vez, a casa cai e o moleque volta a ser o Sid Vicious.

No ano seguinte, a mesma coisa se repete e ele promete pros pais que “ao contrário do ano passado, levará a promessa a sério e será um bom aluno no ano inteiro”. Mas depois da primeira semana, a promessa já é quebrada novamente. Esse é o ciclo da vida estudantil, também conhecido como ciclo da procrastinação, já explorado numa pérola lírica de minha autoria.

Mas eu sou diferente. Eu sou uma criança especial. Um jovem do futuro. O futuro da nação. Eu não gostava de teletubbies, eu não brincava de Power Rangers. Eu vou cumprir minha palavra, apesar de todos os muitos apesares.

Um dia na vida do Almeida do passado.


Celular desperta pontualmente às 6:50, sendo que devo estar na escola impreterivelmente às 7:00. Coloco a primeira calça que aparece no armário, a camisa que eu já deixei estrategicamente jogada na cadeira do computador e vou pra escola, ainda de olhos fechados e remelados. A situação é tão degradante que por vezes eu esqueço de levar a mochila e só percebo quando tô no elevador. Tenho que voltar até em casa pra buscar, e aí me atraso. É uma vida difícil, onde um único imprevisto pode acarretar vários problemas, perceba bem.

Sento, logicamente, na última cadeira da sala. Eu e aquela cadeira temos uma ligação tão grande que contratarei cientistas para pesquisarem resquícios de DNA meu ali. Talvez eu tenha babado tanto sobre ela enquanto durmo, que ela tenha introduzido alguns dos meus genes na sua formação. Aliás, falemos sobre minha jornada sonífera.

Durmo os dois primeiros tempos, por que o ser humano não foi feito para estar acordado às 7:00. No terceiro tempo, eu não presto atenção na aula por que acabei de acordar. Aí vem o intervalo. O quarto tempo eu não presto atenção por que tenho que me acalmar da correria que foi o intervalo. No quinto tempo eu presto atenção. Já no sexto não, por que ninguém presta atenção no sexto tempo. No geral, eu tenho um tempo de aula por dia.

Aí eu volto pra casa, jogo a roupa em pontos estratégicos do quarto cujos minha mãe não perceberá ao passar por ali, ligo o computador, bato um prato fenomenalmente grande de comida e passo o resto da tarde morgando, enquanto coço o saco – primeiro o lado esquerdo, depois o direito, completando com um remanejamento geral da bolsa escrotal na cueca – e divirto outros desocupados sem futuro no twitter, ignorando qualquer tarefa de casa que o professor possa ter passado. O dia fecha às 22:00, quando eu volto ao meu soninho e o ciclo se reinicia.

Um dia na vida de Almeida 2.0

Acordo às 6:00. Lavo o rosto – tomar banho de manhã é uma prática que eu não terei nem no dia que for procurar emprego. Acabei de acordar e a última coisa que eu quero é me ver dentro de um cubículo cheio de água -, tomo café da manhã – prática que eu em quinze anos NUNCA tive e adoraria continuar sem ter, por que tomar café da manhã é uma merda, mas as más línguas dizem que ajuda o cérebro a funcionar  – e me visto. Chego na escola 10 minutos antes do sinal, pra poder pegar um lugar logo na segunda fileira. Na segunda, nunca na primeira. Sentar na primeira fileira é pedir pra sofrer. Além de ter que aguentar a poeira do giz, você tem que sorrir toda vez que o professor tentar puxar assunto com você.

Sentar na segunda fileira é perfeito – você está perto o suficiente pra se sentir na obrigação social de prestar atenção, mas está longe o suficiente pra não se sentir na obrigação social de manter contato com o professor.

Agora vocês entendem o “calculista” no título do blog.

Isso é o que acontece se você senta na frente.

Apesar da grande tentação que é, tento me manter acordado o máximo possível. Mas sou um iniciante nessa história de “ser bom aluno” e tenho tido umas recaídas. Principalmente na aula de química. Aula de química é demais pro meu coração.

Voltando pra casa, minha rotina permanece a mesma, menos nas terças e sextas, que eu tenho aula de tarde. Não há santo no mundo que me obrigará a fazer dever de casa. Coisa tosca, viu. Não basta sofrer na escola, os professores querem prolongar o sofrimento, mas eu sou malvado e destruo os planos deles. Só em semana de prova que eu tomo vergonha.

No geral, você pode perceber a notável melhora em mim e como agora eu sou uma pessoa apresentável. E agora vocês me respondam – me mato agora ou espero a parada piorar?

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8 Responses to “E nasce um monstro.”


  1. 1 janaina 14/09/2011 às 11:10 pm

    credooooooooooooooooo :-{

  2. 2 janaina 14/09/2011 às 11:13 pm

    kk eu todo osanto dia tenho tarefa0
    rsrs mais e xato a tarefa

  3. 3 janaina 14/09/2011 às 11:16 pm

    nossanao toma cafe´ da manhã vc vai com fome para a escola?

  4. 4 janaina 14/09/2011 às 11:18 pm

    que nome em lapis 😀 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  5. 6 janaina 14/09/2011 às 11:21 pm

    vc e fididooooooooooooooooooooo vc nao e igieniiiii a tua sala deve espludir de tanto fedooo fica preta a sala de aula


  1. 1 Ultimele clipe ale Planetei Albastre? « Cuib de mitralier? Trackback em 01/03/2010 às 8:58 am

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