God Gave Rock n’ Roll To You!

Como já fora dito antes, este que vos fala é um exímio aventureiro. Sua última aventura fora marcar presença no maior evento musical internacional e cultural carioca do Brasil: O show do KISS.

Aquela banda que usa saltos maiores e mais maquiagem que a sua mãe veio ao Brasil, e seu querido escritor estava lá, com a cara pintada, o cabelo na cara, e o samba no pé.

O show teria início às 21:30 na Apoteose, o mesmo lugar onde bandas como Skid Row, Rolling Stones, Nirvana e Pearl Jam já tocaram.

Hein? Você nunca foi na Apoteose? Ok, digamos que se você andar durante 30 minutos, você andou metade dela.

É, campeão, o bagaço tá foda.

Os caras marcaram o show numa quarta feira. É, numa quarta feira. Dia mais fodido impossível. Mas nada que abale o bom humor carioca. Fui pra escola, gabaritei a prova de física que tava altamente ridícula, me locomovi até o centro de repouso, também conhecido como lar e empurrei um pedaço de carne garganta abaixo. Bla, bla, bla, whiskas sachê, pulemos pra parte que interessa.

Chegamos na fila eram mais ou menos 14:00. Tínhamos 7 horas e meia de tédio pela frente, então sentamos no chão, pegamos um saco de batata e começamos a fazer a nossa festinha. Se vocês vissem o que eu vi lá, vocês nunca mais me chamavam de emo. Tipo, NUNCA.

Imagine uma menina anorexica, com o cabelo pintado de preto e alisado, maquiagem toda borrada, camisa do Cinderella – a banda, não o filme – e um colã preto. É exatamente isso que eu via, mas a única diferença é que, de acordo com a certidão de nascimento, aquilo era um homem. E o menino corria pelo sambódromo, sempre com uma máquina fotográfica na mão – provavelmente para num futuro próximo atualizar o myspace dele, sabe como é – uma bebida que eu tenho certeza a mãe dele não sabe que ele bebe e uma emo obesa de cabelo rosa neon. Ele parecia legal. Eu gosto de fazer amizades com esses emos hardcore, contanto que eles não tentem me beijar nem nada. Sabe, é o tipo de pessoa que você sabe que nunca vai fazer nada contra você, afinal, o máximo que ele pode fazer é … chorar. Mas eu fiquei com medo de me aproximar dele.

Quando eram mais ou menos 16:00, Eddy, o grande filho da puta, e Raisa com um s só e sem acento chegam ao recinto. No entanto, ficam num canto excluído se boquetando – Eddy e Raisa não se beijam, eles se boquetam – e eu, dessa vez, abro um pacote de Goiabinhas.

Mais ou menos 19:00 nós decidimos que ficar na fila é coisa de viado e nos locomovemos todos para o início da fila. Por incrível que pareça, conseguimos um lugar que com certeza nos daria a grade da pista. Mas meu irmão decidiu ir no banheiro, o que futuramente iria foder todos os meus planos.

Um grupo de guardas gordos, feios e brochas fizeram uma barreira entre o local que eu estava e o local onde meu irmão estava. Ficava basicamente como eu estou mostrando em mais um mapa powered by paint abaixo:

A parte preta são… pessoas. E a branca é o espaço vazio.

Quem tava atrás deles não podia passar pra frente, nem mesmo se estivesse junto a um grupo de amigos. Idéia de girico, eu sei. E como história do Almeida não é história do Almeida até ele se foder, adivinhem o que meu irmão fez. Ele não podia passar pelos guardas, então, desobedecendo às ordens do homem, ultrapassou a barreira. Este, por sua vez, segurou seu braço. Meu irmão o sacudiu, e saiu correndo em minha direção. Ele podia ter se escondido no meio da multidão, afinal, o guarda tinha ligado o foda-se para ele. Mas não. Adivinhem o que ele fez.

O segurança, um gordo muito filho da puta que lembrava vagamente o Bafo, do pateta:

ficava tirando onda com nossa cara. “Isso que é ter moral, sem mexer um dedo fazer uma multidão de roqueiros ficarem quietinhos”. A vontade que me consumia de gritar “MONTINHO NO POLICIAL OBESO!” era enorme. Com certeza o retardado ia ser entupido de porradas, chutes nas bolas e tostadas no pau do nariz, e nós teríamos nosso direito à grade. Ou eu iria ficar com cara de babaca. Pra melhorar ainda mais a situação, o emo ficou do meu lado o tempo todo.

Dai vá lá, abriram os portões 20:00. Tirei meu óculos, coloquei dentro da mochila e me preparei para a correria, que a partir dali ia reinar. Passamos pela checagem, os caras viram meus bolsos, checaram se eu não carregava nenhuma arma de fogo, faca, cinturão, garrafa de vidro, fogo de artifício, revistas ou jornais – sério mesmo, tinha uma placa enorme que proibia  que levassem revistas e jornais -, me liberaram e começou a correria. CORRER PELA APOTEOSE É MUITO FODA. Depois de uns cinco minutos correndo, outra checagem, dessa vez eles olharam minha mochila e pediram o ingresso. Nesse momento infortúnio, imagino eu, estava perdendo meu óculos. :/

Mais uma corridinha e… EU PEGUEI A GRADE! Eu, meu irmão e o amigo do meu irmão – vulgo Preto, não preciso explicar o porque – ficamos a uma pessoa da grade. Uma velha de aproximadamente 50 anos que dizia ter ido no primeiro show do KISS no Brasil, há 26 anos atrás, no maracanã, e contava todas as suas divertidas anedotas aventureiras que já vivera graças ao Paul Stanley e sua turminha do barulho.

Mas o plano, desde  o início, era ir a essa show com a cara pintada tal como o vocalista. Só que a menina que ia pintar, só chegou nesse último instante, então tive que escolher entre a grade e a pintura. Optei pela pintura, já que eu já havia brandido em alto e bom som aos 4 ventos que iria pintar a cara. Vejam o resultado aê, punheteiros:

The Almeida’s

O que você diria se eu te contasse que só tem uma mulher na foto?


Depois de todos estarmos devidamente pintados, meu irmão e todos os seus amigos, entediados, aguardavam pelo show me chamando de emo. Vá entender esse povo.

E pontualmente, às 21:35…

You Wanted The Best! You’ve Got The Best! The Hottest Band In The World… KISS!

Véio, vocês não tem noção. O GENE SIMMONS CUSPIU FOGO E SANGUE. Quem nesse grande ovo azul cospe fogo, sangue, tem uma língua que chega até a sombrancelha e ainda vive até os 60 anos? QUEM, SEU FILHO DA PUTA?!

Pensava eu que não poderia ficar melhor o show, até que os deuses se mostram do meu lado e mandam uma chuvarada daquelas que você, estando em casa, pensa “meu deus, como eu queria estar lá fora”. E então, em meio à essa chuva tremendamente forte e refrescante começa…

CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO PODE ME MATAR QUE EU JÁ TO PRONTO.

Como todo show, há seus pontos negativos. Começando pelo fato de que a chuva fez com que 3, dos 4 telões dessem problema. Simplesmente desligaram, e pra quem tava lá atrás, o show resumiu-se simplesmente ao som da voz embargada do Paul Stanley. Sem contar que tem SEMPRE um babaca que puxa uma rodinha de porrada por que viu aquilo num show do Sex Pistols e achou que ia ser super cool imitar a televisão. Então me chega, um careca, de no máximo 1,55cm, com cara de Síndrome de Down e começa a empurrar todo mundo. Nesse exato momento chega um baixinho da mesma altura do retardado, sem camisa, com uma coleira de espinhos, grita “KISS É A MELHOR BANDA DO MUNDO, PORRAAAAAAAAA” e começa a socar todo mundo das redondezas.

Eu juro pra vocês que a imagem que eu via era essa.

Pensa bem, restos de lápis de olho – com a chuva, a maquiagem foi pro saco, deixando apenas alguns restígios em volta dos meus olhos -, cabelo e água na frente dos seus olhos, com 2 graus de astigmatismo, de noite, sem óculos. Não dava pra enxergar porra nenhuma. Se tivesse uma cobra no meu pescoço eu pensaria que era meu irmão apertando meu ombro. Mas também, pra me proteger das rodinhas de porrada, ao invés de por o braço, como todo mundo, eu coloquei o cotovelo. Nego veio pra cima de mim uma vez, levou uma cotovelada nas costas e pensou duas vezes antes de vir pra cima de mim de novo. Acredite, cotovelada de um cara puro osso como eu DÓI.

Além desses dois problemas, devido à chuva Paul Stanley não pode fazer seu clássico vôo por cima da platéia, que vem sempre acompanhado ao clássico “Love Gun”, música que também foi excluída do repertório carioca.

Mas enfim… foda-se. Poderia ser o pior momento da minha vida, que isso aqui salvaria tudo:

CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO CARALHO AGORA SÉRIO, ME MATA, POR QUE NADA NA VIDA VAI ME DAR TANTO PRAZER QUANTO ISSO E EU NÃO QUERO VIVER UMA VIDA INFELIZ.

E por fim, permanece um silêncio no palco, Paul Stanley pega seu microfone e com sua voz de bicha embargada grita praquela multidão que se formara ali “this one call… DETROIT ROCK CITY!”

Uma chuva de fogos começa atrás do público, que deprimido com o fim do show começa a cantar o hino da banda “God gave rock n’ roll to you, gave rock n’ roll to everyone”.

Mortos, deprimidos, com dor nas pernas, sem voz, há praticamente 14 horas em jejum, nós nos locomovemos em direção ao metrô. Meu irmão comprou uma camisa, eu já optei por um churrasquinho de gato que se fosse mais cru iria pular do palito e sair andando.

Entrei no metrô e o resto é normalidade.

Depois disso eu até desanimei de ir no show do Oasis e do McFly, que eu já até tenho os ingressos aqui. Nada, NUNCA vai ser melhor do que o show do KISS. E provavelmente eu nunca mais terei o privilégio de vê-los ao vivo.

I know life sometimes can get tough,
And I know life sometimes can be a drag!
But people, we have been given a gift,
We have been given a road.
And that road’s name is… Rock and Roll!

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16 Responses to “God Gave Rock n’ Roll To You!”


  1. 1 Nandão 12/04/2009 às 10:18 pm

    Ronaldo.

  2. 3 Emilie 13/04/2009 às 1:09 am

    Invejinha… ;-; (MEGA INVEJONA! D’: )

  3. 4 RAFAEL SOUZA 13/04/2009 às 1:31 am

    foda meu, to com inveja

  4. 6 luizaaltino 14/04/2009 às 12:00 am

    Eu vi o garotinho de 7 anos na TV que teve a puta sorte de encontra-los, mas se fosse eu, aos meus 7 anos, teria um puta medo, whatever.
    Eu tenho medo, até hoje

  5. 7 AgaGê 14/04/2009 às 7:21 pm

    eu nem queria ir mesmo…

  6. 8 Matheus Alonso 15/04/2009 às 4:59 pm

    Ronaldo [2]

  7. 9 Higor 16/04/2009 às 12:33 am

    Ronaldo [3].

    Nem li, mas é Ronaldo!

  8. 10 Carlos 16/04/2009 às 8:50 pm

    hahahahaha…
    Kra sensacional sua narração, muito boa mesmo.
    Adorei a parte do baixinho com sindrome de down..

    Parabéns, continue assim.
    Dá uma conferida no meu blog
    http://www.sofismo.wordpress.com

  9. 11 Samy 20/04/2009 às 1:58 am

    você foi de vip ou normal?
    caralho, o show do KISS foi FODA PRA CARALHO!
    melhor show da minha vida, eu também desanimei de ir pro McFLY [/por um pequeno momento] depois do KISS por que dude.. NUNCA o show do KISS vai ser superado. Fiquei na grade da pista VIP, vi uma mulé abaixando a saia e a calcinha e mijando na pista vip [/foi nojento e super engraçado JSGAOFAKSOF] vi um tio vestido de Gene Simons que a parte prata da roupa seria papel aluminio, peguei a paleta do Paul AUTOGRAFADA *-* conheci gente foda, corri pela Apoteose [/é realmente FODA correr pela Apoteose], vi o Tommy e o Paul Diva de pertinho e caralho.. foi o melhor presente de aniversário da minha vida, pra morrer feliz só precisava de um show do Nirvana só que isso não vai ser possivel é. 😦
    enfim.. foram 210 reais gastos bem PRA CARALHO.

  10. 12 crismacleiton 04/12/2009 às 2:42 pm

    esses caras sao endemoniados!!!!!

  11. 13 yasmin zero 26/12/2009 às 12:44 am

    *invejando o Almeida*

  12. 14 Karininha 07/01/2010 às 6:45 pm

    nem queria mesmo ver o meu paul staley abrinod o show com deuce :(((((((!

  13. 15 yasmin 03/02/2010 às 3:46 am

    caralho almeida, vai te foder, *o* eu TENHO que ir num show desses… até pq eu nunca foi em show algum ):

  14. 16 Bee 15/05/2010 às 9:25 pm

    Tô super rindo com a velhinha HAHSIUAHSUIAHSI
    a pintura ficou digna mimi


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