Então é natal.

Há pouco eu tive de fazer um msn novo. Tive uns problemas na escola e minha mãe me obrigou a mudar de orkut e msn, sabe lá deus o porquê. Nesse msn novo, eu tenho por volta de 50 a 60 contatos, em sua maioria nerds que passam o dia inteiro no computador e meninas que passam o dia inteiro no computador mas a noite inteira na rua, então não se enquadram no perfil nerd. 8 pessoas estão online nesse exato instante. Entre elas, 1 é o msn group do Sdlaranja e seis estão com o estado “na sala” ou “saí”. O outro 1 contato é a Thaís, para os leitores do Sdlaranja, “Without Forehead”. No twitter, ninguém twitta nada há mais de 2 horas, e quem twittou por último foi o Kid, que mora em outro país com um fuso-horário extremamente diferente do de Brasília. E eu tô aqui, sozinho, vendo Wonderland, DVD do McFly de 2005. Isso deve-se à uma comemoração do nascimento de um cara muito velho chamado G-zuz. É, já é natal na leader magazine.

A questão é: eu odeio o natal desde meus 8 anos. O natal nunca foi lá uma grande festa na minha família, afinal, NADA é festa na minha família. Até os oito anos meus pais me iludiam. No meu natal de oito anos – o único que eu lembro – eu estava morando em são paulo. Tinha viajado pro Rio pra passar o natal com os avós – foi a penúltima vez que eu viajei, e olha que já tem exatos 6 anos – e a gente tinha ido jantar na casa dos véio. A gente tava voltando, pro nosso apê lá em olaria, de noite, lá pras 23:00, quando eu vi um cara vestido de papai noel dando uma bicicleta prum pivete. Meus pais disseram “chegando em casa vai dormir rapidinho! Ele já tá aqui em olaria e logo, logo, vai chegar aqui em casa. Você precisa dormir pra ele não te ver acordado e ir embora!”. E lá fui eu, correndo, dormir. No dia seguinte, todos fomos acordados às 10:00 e fomos pra sala, abrir os presentes que estavam embaixo da árvore de natal. Foi a última vez que eu tive aquela sensação de “ai meu deus, que que eu ganhei? Que será que papai noel me deu?”. No ano seguinte, quando eu comentei “mãe, vou fazer a minha lista de natal” ela se entreolhou com meu pai e ele, sem muita certeza disse “guilherme, papai noel não existe”. “Ô pai, eu sei. Mas eu quero presente”. Ele, assustado, com uma cara de idiota fenomenal, respondeu “Mas guilherme, quem compra seus presentes somos eu e sua mãe. Esse ano estamos sem muito dinheiro, então peça pouca coisa”. E de lá pra cá, o número de presentes tem diminuído drasticamente, até esse ano, que com 14 anos, eu só ganhei um Allstar de presente. Eu não ligo pra presentes, sério. Eu realmente não quero nada.

Normalmente, meus avós vêm aqui em casa jantar na noite de natal, e no dia seguinte, nós vamos almoçar na casa deles. É assim no ano novo também. Esse ano, meu pai teve que trabalhar até o finzinho da tarde, o que faria meus avós ficarem sem carona, e assim, não poder vir aqui pra casa. Ou seja, um natal sem família e sem presentes. Awesome. Desde antes de eu começar a namorar a nathie que nós já planejávamos de passar o natal juntos. E essa semana ela falou “guiga, vai ter uma festa aqui em casa no natal. Vem com seus pais.”. E lá fui eu pedir pra minha mãe “ô mãe, vai ter uma festa na casa da nathie, vamos? A gente não tem nada pra fazer mesmo”. “Não, a gente não pode ir porque ela mora muito longe e eu não sei andar de carro lá”. Ok, uma resposta PLAUSÍVEL no mínimo. Até que ontem, o Yuri comentou que ta morando aqui perto da minha casa. Falou que ele também vai pra tal festa e se ofereceu pra me levar. Lá fui eu, de novo, falar com minha mãe. “Mãe, vai ter uma festa na casa da nathie e meu amigo se ofereceu pra me dar carona. Posso?”. E ela, como de costume, soltou seu sonoro “NÃO”. “Mas porque?”. “Eu não vou deixar você ir com um estanho na casa de estranhos”. “Mãe, é meu amigo e é na casa da minha namorada.”. “Não.”. Sabe, eu até aceitei bem. Se eu pudesse, eu mostraria o dedo do meio na cara dela e mandaria ela enfiar naquele cantinho. Mas não, sempre calmo, virei de costas e vim pro meu computador, viver a única vidinha que eles me proporcionam: internérdica.

Meia hora se passa e ela vem falar comigo. “Vem conversar com a gente aqui na sala”. Lá fui eu. Meu pai tava de cueca dançando e cantando zeca pagodinho, com uma cerveja na mão. É, até foi engraçado. Meu irmão conversando sozinho e minha mãe fazendo a janta. Eu fiquei calado, quieto, afinal, quem recebe um não tão sonoro daqueles não é de se estranhar que não esteja pulando de alegria. “Nossa Guilherme, você tá com uma cara tão feia. Se alegre!”. Eu me contive e não falei nada.

De noite, meu irmão veio falar comigo.

– Tédio, né?
– É. Demais. Sabe o que é pior? Minha namorada e meu amigo tão numa festança. Eu to em casa. Culpa de quem? Daquela baixinha que ta dormindo.
– Pô cara, mas todos os seus amigos tão na festa?
– Todos os meus amigos ou viajaram, ou estão em ALGUMA festa.
– Você precisa ter mais vida social.
– Como? Eu não posso ir a lugar nenhum, fazer nada, sair com ninguém.
– Sabe… se fudeu.

Meu irmão tomou um susto. Minha mãe não deixa a gente falar palavrão. Se falamos na frente dela, é um esporro de meia hora seguido de uns tabefes na boca. Ela apareceu atrás dele segundos após seu sonoro “fudeu”.

– Você é ingrato. Faço tudo pra você e nada de você me agradecer. Só reclama. Nunca ta feliz e blá blá blá.

Se eu dissesse que ela falou esse EXATO discurso ONTEM vocês não acreditavam, né? Foi EXATAMENTE igual, com as mesmas palavras, letras e fonemas.

– Mãe, você me deu um não sem nenhum motivo e ainda quer que eu fique FELIZ por isso?
– Eu quero que você fique feliz porque eu fiz de tudo pra você ficar feliz.
– Não fez o que eu pedi.
– Nem vou fazer.
– Então eu não vou ficar feliz, oras.
– Você estragou o dia, o natal, tudo.
– LOL.

E here I am. Ninguém vai ler esse post mesmo. É natal, vocês devem estar na casa de amigos, avós, tios, ou quem sabe numa festa com sua namorada. Who cares? Minha mãe não.

Esse post foi tão Nandão way of life. Mas fuck you.

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1 Response to “Então é natal.”


  1. 1 Iara 25/12/2010 às 5:52 am

    Olha acho que cheguei em casa entediada e resolvi ler neh…
    Mas tudo bem eu gostei so não me identifico…
    Minha avo tem 10 filhos e sempre tem festa com muita comida e sim esse é o principal motivo pelo qual eu resolvo sempre comparecer as festas e como uma otima neta gosto de fazer vovo feliz…


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