Quebrando as barreiras do bom senso.

O dia já começou ruim. Meu pai me acordou faltando 10 minutos pra aula começar e se irritou pelo fato de eu não ter ouvido-o me chamar antes. Como se a culpa de eu não tê-lo ouvido chamar-me enquanto durmo fosse minha. Porque você sabe, né? Quando você tá dormindo, você ouve tudo ao seu redor!

Cheguei na escola atrasado, como de costume. Quando você chega atrasado aqui, tens que assinar uma fichinha dizendo o dia e a hora que chegou. Depois de assinar a ficha 5 vezes, se chegar atrasado de novo, você volta pra casa. Voltar pra casa não ia ser uma opção muito acessível, mas eu não tinha mais nenhuma chance para chegar atrasado. Mas eu cheguei. A sorte é que a moça foi muito gentil e fez vista grossa.


O primeiro tempo passou como qualquer outro, Química, chato para caralho. O segundo a parada começa a esquentar. Eu tinha três trabalhos pra entregar e só tinha feito um. Esse um, ficou MUITO ruim e a professora não aceitava mais – eu tinha que tê-lo entregue semana passada. Coloquei o trabalho – que era uma coisa MUITO deprimente. Juntava um pouco de high school musical três, com uma foto minha e uma montagem muito podre. Mas foi o que a professora pediu pra fazer, porra – dentro do fichário, e este, dentro da mochila.

Segundo e terceiro tempo passaram em branco. Menos o fato da professora de artes ter vindo falar comigo sobre o que eu tinha feito no cabelo para ele estar TÃO bonito. Não senti ironia na fala dela, então acho que ela realmente gostou. Vá saber.

Quando volto do intervalo, a professora me aborda para me entregar o tal trabalho que tava dentro da mochila enquanto o resto da turma me olha com um olhar que eu não entendi. Peguei o trabalho, vi que estava TODO amassado, e rasguei-o. Afinal, a professora não ia aceitar mesmo. Aqueles retardados lá do fundo me olhavam com aquele risinho filha da putamente irritante. Aparentemente, os caras abriram a minha mochila, abriram o meu fichário, pegaram o meu trabalho e abriram-no na frente de toda a turma. Era um trabalho humilhante, de fato, mas eu queria nota.

O que esse caras fizeram foi tão, mas TÃO sem noção, que a própria turma, que é um bando de mongolóides, concordaram que os caras exageraram. Fez-se um silêncio mórbido. Ninguém falava nada, só olhavam pra minha cara esperando minha reação. E eu, sempre a favor da não-violência, sentei no meu lugar e comecei a dormir. Ora pois, eu estava com sono! Um dos retardados, não tão retardado assim, na verdade, é o Afonfo, chegou pra mim e me pediu desculpas. Tudo bem, Afonfo, tou pouco me fodendo pro que a turma pensa. O outro retardado, continuou se achando engraçado, e ficou tentando me zuar o resto da aula. Só que porra, tava todo mundo de saco cheio da cara dele. Pelo menos, EU tava. A vontade que eu senti de estourar a cara dele de porrada foi tremenda, confesso, e isso seria uma coisa MUITO fácil de ser feita, já que ele, com 14 anos, apanha pra irmã de 9. Mas me contive, fiquem calmos.

No quinto tempo, trabalho de religião. Puta merda, o que diabos ta acontecendo?! A professora de religião me perguntou o que eu tinha feito no cabelo para ele estar tão bonito! O tempo decorreu com todos vindo falar comigo. Acho que agora sei como se sentem as pessoas depois de serem estupradas. As pessoas falavam comigo tipo:

– Você fez mesmo aquele trabalho, ou fizeram só pra te maltratar?
– Não, não. Eu que fiz, era pro trocinho de artes.

– Ah ta. Fica bolado não, o trabalho tava maneiro.
– Que nada, cara.

Ou até…

– Você que pôs o seu trabalho lá na frente?
– Não, foram o Alonso e o amigo dele.

– Ah ta. Seu cabelo ta bonito, hoje. Eu gostei muito do seu penteado novo!


E por fim…

– Porque rasgou o trabalho? Tava tão legal! HAHAHAHAHAHAHAH
– Ah, num fode…

Na saída, quando estava indo pra casa, vejo minha mãe no portão. Não sei o que se passou na cabeça dela, mas ela tava MUITO puta. Não sei de onde tirou que meus amigos iriam jogar ovos em mim. Meu aniversário foi sexta passada e ela achou que iam jogar ovos hoje, quarta feira. Com uma paciência que eu não sei de onde tirei, expliquei:

– Mãe, ninguém vai jogar ovo em mim. Fica calma.
– SE JOGAREM OVO EM VOCÊ EU VOU CRIAR UM BARRACO. EU PEGO O CARA E … E … E …
– Mãe, ninguém fez nada. Vamos pra casa, tá?
– TO POUCO ME LIXANDO PRA VOCÊ, NÃO QUERO É QUE SUJEM SUA CAMISA E CABELO!
– Mãe, ninguém vai fazer nada com a camisa.

E levei ela pra casa. Chegando lá…

– ô mãe, cê pode pedir pro meu pai me acordar mais cedo? Eu não posso mais chegar atrasado, e nesse horário que vocês me acordam eu me atraso sempre.
– TU QUER LEVAR PORRADA, É? SE EU FALO ISSO PRO TEU PAI ELE TE COME DE PORRADA, MOLEQUE! VOCÊ LEVA HORAS PRA LEVANTAR E AINDA FALA ISSO?!
– Mãe, só tô pedindo pra acordar mais cedo. Eu ponho o despertador, se você quiser.
– OLHA QUE EU TE METO A MÃO NA CARA! VOCÊ TÁ DOIDO, É? A GENTE ODEIA TE ACORDAR, ELE SENTE ÓDIO DISSO!
– Mãe, eu uso o despertador, então.
– DESPERTADOR PORRA NENHUMA! VOCÊ NUNCA ACORDA COM DESPERTADOR!
– Sempre acordo mãe. Deixa pra lá, então.
– MINHA MÃE DIZIA QUE ISSO AÍ É FALTA DE PORRADA! TÁ MUITO ESTRESSADINHO, HEIN? VO TE ENFIA A MÃO NA CARA!
– Mãe, eu não fiz nada, caramba. Se quer bater em mim, bate logo.

Ela tem 1,50cm! Pode me bater com todas as forças que eu não sinto nem cócegas!

Depois ela me seguiu até o quarto, bateu a porta, deu socos na mesa, falou um discurso enorme – muito cuspido, diga-se de passagem – que eu não lembro porra nenhuma, xingou deus e o mundo, fez a vizinhança inteira saber de seus distúrbios e deve ter ficado rouca. Ou seja, calor infernal, “humilhado” na escola e minha mãe tem sérios problemas.

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5 Responses to “Quebrando as barreiras do bom senso.”


  1. 1 Weslly 05/11/2008 às 5:34 pm

    hahahahhahahahahhaha

    eu chego na escola atrasado desde o começo do ano, TODO DIA.

    pelo menos eles não ligam muito se chegar no 2º horário, mas uma vez cheguei no terceiro e levei uma advertência =/

  2. 2 Almeida 05/11/2008 às 5:45 pm

    Na antiga escola eu sempre chegava no segundo tempo. Às vezes no terceiro. Até uma vez em que os professores se juntaram no corredor e chamaram o inspetor pra fazer queixa de mim. D:

    Minha mãe mandou um bilhete dizendo que ela que permitia. USAHUSAHUSAHU Se foderam, bando de velho chato. –‘ Odiava o povo daquela escola.

  3. 3 Matheus Alonso 05/11/2008 às 6:33 pm

    Opa, afonfo no texto.

    KKK, na hora foi engraçado olhar pra cima e ver um emo com o zac efron. Mas eu fui muito ignorante esquecendo que você nunca fez nada de ruim assim comigo.

    Já o Chayann é desgraçado mermo, mete o pau nele.

  4. 4 Caio T. 29/01/2009 às 5:55 am

    O problema é chegar frequentemente no terceiro.
    Ficava com uma fama maldita no colégio e ficava conversando com o tiozão do corredor… Ao menos você sabia de tudo que ocorria enquanto tava na aula, ou seja: nothing.

  5. 5 lullabygb 13/02/2010 às 6:20 pm

    Ah, cara… isso foi uma bela duma bosta DD:
    “Depois ela me seguiu até o quarto, bateu a porta, deu socos na mesa, falou um discurso enorme – muito cuspido, diga-se de passagem – que eu não lembro porra nenhuma, xingou deus e o mundo, fez a vizinhança inteira saber de seus distúrbios e deve ter ficado rouca. Ou seja, calor infernal, “humilhado” na escola e minha mãe tem sérios problemas.”
    Minha mãe tbm adora fazer isso…
    Tbm lembro da ultima vez que ela me bateu… eu tava de saia e começei a rir da cara dela DD:

    Love-u


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